LITERATURA – BRASILEIRA


Ano: 2012

  • A Prisão de Monteiro Lobato

    Monteiro Lobato Monteiro Lobato foi preso por Getúlio Vargas em 1941, durante a ditadura do Estado Novo. Em Janeiro de 1935, Monteiro Lobato escreveu uma carta endereçada ao próprio Getúlio Vargas denunciando o Conselho Nacional de Petróleo de agir em favor de interesses estrangeiros. O assunto é extremamente sério e faz jus ao exame sereno […]

  • Veja Bem, Meu Bem (Marcelo Camelo)

    Veja bem, meu bemSinto te informar que arranjei alguémpra me confortar.Este alguém está quando você saiE eu só posso crer, pois sem ter vocênestes braços tais. Veja bem, amor.Onde está você?Somos no papel, mas não no viver.Viajar sem mim, me deixar assim.Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins. Enquanto isso, navegando vou sem […]

  • Aceitarás o amor como eu o encaro ?… (Mário de Andrade)

    Paul-César Helleu 1859-1927, Nue allongée sur un canapé  Aceitarás o amor como eu o encaro ?……Azul bem leve, um nimbo, suavementeGuarda-te a imagem, como um anteparoContra estes móveis de banal presente. Tudo o que há de melhor e de mais raroVive em teu corpo nu de adolescente,A perna assim jogada e o braço, o claroOlhar […]

  • ROSA DE HOROSHIMA (Vinicius de Moraes)

    Pensem nas criançasMudas telepáticasPensem nas meninasCegas inexatasPensem nas mulheresRotas alteradasPensem nas feridasComo rosas cálidasMas, oh, não se esqueçamDa rosa da rosaDa rosa de HiroshimaA rosa hereditáriaA rosa radioativaEstúpida e inválidaA rosa com cirroseA anti-rosa atômicaSem cor sem perfumeSem rosa, sem nada

  • Poema só para Jaime Ovalle (Manuel Bandeira)

    Quando hoje acordei, ainda fazia escuro(Embora a manhã já estivesse avançada).Chovia.Chovia uma triste chuva de resignaçãoComo contraste e consolo ao calor tempestuoso da noite.Então me levantei,Bebi o café que eu mesmo preparei,Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando…– Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

  • POEMA DE SETE FACES (Carlos Drummond de Andrade)

    Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos. O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. […]

  • Romance XIX ou dos maus presságios (Cecília Meireles)

    Zezé Motta em filme Xica da Silva Acabou-se aquele tempodo Contratador Fernandes.Onde estais, Chica da Silva,cravejada de brilhantes?Não tinha Santa Ifigênia,pedras tão bem lapidadas,por lapidários de Flandres… Sobre o tempo vem mais tempo,Mandam sempre os que são grandes:e é grandeza de ministrosroubar hoje como dantes.Vão-se as minas nos navios…Pela terra despojada,ficam lágrimas e sangue. Ai, […]

  • Segunda impaciencia do poeta (Gregório de Matos)

    Cresce o desejo, falta o sofrimento,Sofrendo morro, morro desejando,Por uma, e outra parte estou penandoSem poder dar alívio a meu tormento. Se quero declarar meu pensamento,Está-me um gesto grave acobardando,E tenho por melhor morrer calando,Que fiar-me de um néscio atrevimento.Quem pretende alcançar, espera, e cala,Porque quem temerário se abalança,Muitas vezes o amor o desiguala. Pois […]

  • Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

    A porta da verdade estava aberta,mas só deixava passarmeia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade,porque a meia pessoa que entravasó trazia o perfil de meia verdade.E sua segunda metadevoltava igualmente com meio perfil.E os meios perfis não coincidiam. Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.Chegaram ao lugar luminosoonde a verdade […]

  • Aceitarás o amor como eu o encaro ?… (Mário de Andrade)

    Aceitarás o amor como eu o encaro ?……Azul bem leve, um nimbo, suavementeGuarda-te a imagem, como um anteparoContra estes móveis de banal presente. Tudo o que há de melhor e de mais raroVive em teu corpo nu de adolescente,A perna assim jogada e o braço, o claroOlhar preso no meu, perdidamente. Não exijas mais nada. […]