LITERATURA – BRASILEIRA


Romance XXX ou do riso dos tropeiros (Cecília Meireles)

Passou um louco, montado.
Passou um louco, a falar
que isto era uma terra grande
e que a ia libertar.

Passou num macho rosilho.
E, sem parar o animal,
falava contra o governo,
contra as leis de Portugal.

Nós somos simples tropeiros,
por estes campos a andar.
O louco já deve ir longe:
mas inda o vemos pelo ar….

Mostrando os montes, dizia
que isto é terra sem igual,
que debaixo destes pastos
e tudo rico metal…

– Por isso é que assim nos rimos,
que nos rimos sem parar,
pois há gente que não leva
a cabeça no lugar.

Ah! se conosco estivesse
o capitão general!
E também nos disse o louco:
“Levai bem pólvora e sal!”.

Por isso que rimos tanto…
Mas, quando ele aqui tornar,
teremos a terra livre,
– salvo se, por um desar,

o metem num enxovia,
e, por sentença real,
o fazem subir à forca,
para morte natural.

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Romance XIX ou dos maus presságios (Cecília Meireles)

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