LITERATURA – BRASILEIRA


Alma minha gentil, que te partiste (Luís Vaz de Camões)

 Ilustração de Danuta Wojciechowska.
“Nomes com História: Luís de Camões”

Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer te
algüa causa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder te,

roga a Deus, que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver te,
quão cedo de meus olhos te levou.

Poema retirado de SONETOS de Luís de Camões. Obra disponível para download em Domínio Público (SONETOS).

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