LITERATURA – BRASILEIRA


Categoria: Uncategorized

  • DESTRUIÇÃO (Carlos Drummond de Andrade)

    Imagem da Minissérie Os Maias de Maria Adelaide Amaral  Os amantes se amam cruelmentee com se amarem tanto não se vêem.Um se beija no outro, refletido.Dois amantes que são? Dois inimigos. Amantes são meninos estragadospelo mimo de amar: e não percebemquanto se pulverizam no enlaçar-se,e como o que era mundo volve a nada. Nada, ninguém. […]

  • Senhor Cidadão (Tom Zé)

    Senhor cidadãosenhor cidadãoMe diga, por quême diga por quêvocê anda tão triste?tão tristeNão pode ter nenhum amigosenhor cidadãona briga eterna do teu mundosenhor cidadãotem que ferir ou ser feridosenhor cidadãoO cidadão, que vida amargaque vida amarga. Oh senhor cidadão,eu quero saber, eu quero sabercom quantos quilos de medo,com quantos quilos de medose faz uma tradição? […]

  • Também os mortos (Eunice Arruda)

    Imagem de Jeff Juit                                              Para Lúcia Ribeiro da Silva Também os mortosme acompanham Entre um e outrodegrau Paramos. Como quemdescansa um fardo Ao cair da tarde— xale vinho aquecendo o corpo —os mortos me […]

  • Poemas Escolhidos (Mia Couto)

    Mia Couto — António Emílio Leite Couto — é um biólogo, jornalista e escritor de Moçambique, membro correspondente da Academia Brasileira de Letras. Ele destaca-se tanto na prosa como na poesia e já coleciona uma série de prêmios literários, entre eles o Prêmio Camões de 2013 e o Neustadt International Prize de 2014. Um dos […]

  • Um Girassol da Cor de Seu Cabelo (Lô Borges)

    Vento solar e estrelas do marA terra azul da cor de seu vestidoVento solar e estrelas do marVocê ainda quer morar comigoSe eu cantar não chore nãoÉ só poesiaEu só preciso ter vocêPor mais um diaAinda gosto de dançarBom diaComo vai você? Sol, girassol, verde vento solarVocê ainda quer morar comigoVento solar e estrelas do […]

  • Amor é um fogo que arde sem se ver

    Amor é um fogo que arde sem se ver,é ferida que dói, e não se sente;é um contentamento descontente,é dor que desatina sem doer.É um não querer mais que bem querer;é um andar solitário entre a gente;é nunca contentar se de contente;é um cuidar que ganha em se perder.É querer estar preso por vontade;é servir […]

  • O pobre poema (Mario Quintana)

    Eu escrevi um poema horrível!É claro que ele queria dizer alguma coisa…Mas o quê?Estaria engasgado?Nas suas meias-palavras havia no entanto uma ternuramansa como a que se vê nos olhos de uma criançadoente, uma precoce, incompreensível gravidadede quem, sem ler os jornais,soubesse dos seqüestrosdos que morrem sem culpados que se desviam porque todos os caminhos estão[tomados…Poema, […]

  • Dialética (Vinicius de Moraes)

    É claro que a vida é boaE a alegria, a única indizível emoçãoÉ claro que te acho lindaEm ti bendigo o amor das coisas simplesÉ claro que te amoE tenho tudo para ser feliz Mas acontece que eu sou triste… Vinicius de Moraes Veja também outros poemas de Vinicius de Moraes …  A hora íntima  […]

  • Ora (direis) ouvir estrelas!

    XII Sonhei que me esperavas. E, sonhando,Saí, ansioso por te ver: corria…E tudo, ao ver-me tão depressa andando,Soube logo o lugar para onde eu ia. E tudo me falou, tudo! EscutandoMeus passos, através da ramaria,Dos despertados pássaros o bando:“Vai mais depressa! Parabéns!” dizia. Disse o luar: “Espera! que eu te sigo:Quero também beijar as faces […]

  • Memorial de Maria Moura (Rachel de Queiroz)

    Aos 82 anos Rachel de Queiroz publica Memorial de Maria Moura, considerada a obra-prima da autora. O romance apresenta a saga de uma mulher no sertão nordestino contra a submissão feminina na sociedade do século XIX. A obra foi adaptada a uma minissérie exibida em 1994. A minissérie foi um grande sucesso de audiência e alavancou […]