LITERATURA – BRASILEIRA


Tag: Mulheres na Literatura

  • Herança (Cecília Meireles)

    Eu vim de infinitos caminhos, e os meus sonhos choveram lúcido prantopelo chão. Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos, essa vida, que era tão viva, tão fecunda, porque vinha de um coração? E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos, do pranto que caiu dos meus olhos passados, que experiência, ou consolo, ou prêmio […]

  • E o meu caminho começa …

    Não perguntavam por mim,mas deram por minha falta.Na trama da minha ausência,inventaram tela falsa. Como eu andava tão longe,numa aventura tão larga,entregue à metamorfosedo tempo fluido das águas;como descera sozinhoos degraus da espuma clara,e o meu corpo era silêncioe era mistério minha alma –– cantou-se a fábula incerta,segunda a linguagem da harpa:mas a música é […]

  • Contagem regressiva (Ana Cristina César)

    Acreditei que se amasse de novo esqueceria outros pelo menos três a quatro rostos que amei Num delírio de arquivística organizei a memória em alfabetos como quem conta carneiros e amansa no entanto flanco aberto não esqueço e amo em ti os outros rostos Ana Cristina César, in “Inéditos e Dispersos”. Ana Cristina César (1952-1983) […]

  • Romance XXX ou do riso dos tropeiros (Cecília Meireles)

    Passou um louco, montado.Passou um louco, a falarque isto era uma terra grandee que a ia libertar. Passou num macho rosilho.E, sem parar o animal,falava contra o governo,contra as leis de Portugal. Nós somos simples tropeiros,por estes campos a andar.O louco já deve ir longe:mas inda o vemos pelo ar…. Mostrando os montes, diziaque isto […]

  • Ou isto ou aquilo (Cecília Meireles)

    Ou se tem chuva e não se tem sol ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva! Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos […]

  • Romance XIX ou dos maus presságios (Cecília Meireles)

    Zezé Motta em filme Xica da Silva Acabou-se aquele tempodo Contratador Fernandes.Onde estais, Chica da Silva,cravejada de brilhantes?Não tinha Santa Ifigênia,pedras tão bem lapidadas,por lapidários de Flandres… Sobre o tempo vem mais tempo,Mandam sempre os que são grandes:e é grandeza de ministrosroubar hoje como dantes.Vão-se as minas nos navios…Pela terra despojada,ficam lágrimas e sangue. Ai, […]